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Mundo das coisas, pessoas, palavras e imagens



O Regresso (The Revenant). EUA, 2015. De Alejandro González Inãrrítu. Com Leonardo DiCaprio e Tom Hardy. 156 min.




Você vai num cinema multiplex e assiste aos trailers: filmes de super-heróis, continuações, refilmagens-releituras e cine-biografias dominam os lançamentos. O cinema americano parece em crise de criatividade e qualidade. Uma pessoa otimista pode tirar deste fato uma criatividade orientada no sentido de reinventar personagens — Drácula, João e Maria, Abrãao Lincoln, etc. Eu não.

Por que começar o texto assim? Porque talvez sirva para explicar as 12 indicações ao Oscar de "O Regresso". Não que se trate de refilmagem ou releitura; mas que o ano de 2015 foi atipicamente — ou tipicamente — ruim no cinema americano.

A trama de "O Regresso" é arrastada, cansativa em seus 156 minutos. Pode ser um bom filme, mas as seguidas adversidades que o personagem de Leonardo DiCaprio tem de enfrentar para sobreviver soam cansativas.

O título em inglês é "The Revenant", que significa literalmente retorno, regresso. Mas que, como nome masculino, pode significar alma do outro mundo, espectro, fantasma. É isso que acontece: Hugh Glass escapa de ataques indígenas, de um terrível ataque de um urso, de outras investidas indígenas, de uma queda, de um frio congelante... Enfim, nada faz crer na sua sobrevivência. Se o relato é bom, suas conclusões não o são na mesma medida, isto é, não o acompanham.

Outro senão é o vilão do filme, interpretado por Tom hardy. Personagem caricato, que de tão vilão, nem sentimos raiva dele, pois logo vemos que de tudo ruim que uma pessoa pode dizer e fazer, ele diz e faz. Além do mais, as tramas paralelas não são bem desenvolvidas nem explicadas.

Enfim, a produção é boa, fotografia, efeitos especiais e elenco idem. Mas ao ver "O Regresso" a impressão que fica é de que a embalagem é melhor que o bombom.


Cotação: êê (bom)

Confira as Indicações: filme; diretor; ator; ator coadjuvante; figurino; maquiagem; montagem; efeitos visuais; fotografia; edição de som; mixagem de som; design de produção.
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Até Que a Sorte Nos Separe 3: A Falência Final. Brasil, 2015. De Roberto Santucci. Com Leandro Hassun e Camila Morgado. O ex-pobre e ex-rico Tino é atropelado pelo filho do homem mais rico do Brasil e vê sua sorte mudar. 106 min.


Bom, o que dizer da segunda continuação dessa comédia da Globo Filmes? Dizer que é ruim é fácil, porém não explica sua ruindade, principalmente para quem não assistiu.

Dessa vez, Faustino (Leandro Hassun) é atropelado pelo filho do nada mais nada menos homem mais rico do Brasil - Rique Morelli (Leonardo Franco). Rique é casado com Luma (ops, Malu) e dono da empresa KHx. O atropelamento e o envolvimento entre as famílias pobre e bilionária é a chance de Faustino voltar a ser rico.

À parte a idéia desgastada, as piadas são do nível de um "Zorra Total" e nenhuma das interpretações é levada a sério. Além disso, é cinema que não vive sem a TV, que não se vê desligado desta: a aparição dos globais Luciano Huck e André Marques num programa de TV, logo no começo, já denuncia. E a pobreza dos enquadramentos e cenários ao longo da projeção confirma.

A história é tão frágil/tosca/desarrumada que envolve piadas com a presidente, bonecos amaldiçoados, tiques nervosos, etc. É como se fossem esquetes de um programa ruim de humor, que pega fatos do Brasil atual e os joga para fazer rir. Pode até fazer rir, mas mesmo espectadores não muito exigentes perceberão que é riso fácil e passageiro.

Num filme em que nada sai do malfeito o pior são os momentos em que quer ser sério. Em determinada hora, o personagem de Daniel Filho brinda-nos com uma lição de moral ao dizer que o país está no buraco, depois de muito trabalho de sua geração, por conta de pobres que são preguiçosos e não querem trabalhar e de uma elite de empresários que gosta de ganhar dinheiro fácil, especulativo. Precisava? Não, não precisava. Ainda mais vindo de Daniel Filho, um grande nome da televisão e cinema nacionais.

Assim, quando o filme quer ser sério ou romântico - mostrar que tem qualidade e fugir da sua origem - fica ainda pior.

Definitivamente, "Até Que a Sorte Nos Separe 3" é cinema, cinema-TV, muito diferente da arte que consagrou Fellini, Scolla, Chaplin, Herzog e tantos outros.

Cotação: Ä (ruim)
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A 5ª Onda (The Fifth Wave). EUA, 2016. De: J Blakeson. Com Chlöe Grace Moretz e Nick Robinson. 117 min.


Na primeira onda de ataque, alienígenas interferem no campo magnético da terra, retirando a eletricidade; na segunda, causam terremotos e maremotos; na terceira, uma epidemia devasta a humanidade; na quarta, alienígenas se infiltram entre as pessoas, assumindo sua forma. A quinta onda será a aniquilação final da espécie humana.





Parece um filme de ficção científica, recheado de ação e efeitos especiais. Mas não é. "A 5ª Onda" lembra muito mais o igualmente ruim "A Hospedeira", de 2013.

Enfim, se você foi à sessão baseado no cartaz, esperando um sci-fi com batalhas e efeitos especiais, fique sabendo: como eu, você se enganou.
                                                                            
A adolescente Cassie promete para sempre proteger seu irmão pequeno em meio ao caos alienígena. Eles porém separam-se: o pequeno segue num ônibus em direção a um acampamento militar, depois que estes vêm ao encontro aos civis.

O pieguismo da produção, que já era forte na típica família norte-americana sorriso-colgate de Cassie, logo impera depois de alguns minutos. Daí resulta em temas aborrecentes e aborrecidos: a paixão de uma jovem, crianças sendo colocadas para guerrear, a esperança humana frente à invasão alienígena, etc. Tudo profundo como um pires.

"A 5ª Onda" parece ter sido feito na medida para meninas adolescentes, para tocar seus corações sem mexer com a censura. Mesmo o sexo parece ser algo tão forte que é apenas sugerido no filme. Talvez esse público goste - melhor dizendo, parte dele - mas, no geral, seus 117 minutos soarão intermináveis.


Cotação: Ä (ruim)


Há algo do roteiro - um capacete, que permite identificar "os outros" entre os humanos - retirado de "Eles Vivem", de John Carpenter. Se há um mérito em "A 5ª Onda" é dar vontade de rever o filme do mestre.
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A Profecia (The Omen). EUA/Reino Unido, 1976. De: Richard Donner. Com Gregory Peck e Lee Remick. 111 min.

Costumo dizer que "A Profecia" forma a "trindade do terror" classe "A" junto com "O Bebê de Rosemary" (1968) e "O Exorcista" (1973). São filmes que tematizam o terror no demônio ou anticristo, contam com bom orçamento, elenco de peso e fizeram sucesso de público e crítica.

Gregory Peck, uma das lendas do cinema americano, faz o papel principal, do embaixador norte-americano cujo filho morre no parto e adota uma criança nascida na mesma noite, filha de pais desconhecidos. Essa criança vem a ser a reencarnação do anticristo. O ator defende com garra, profissionalismo e segurança seu papel. Já era consagrado à época do filme - tinha 60 anos de idade, 1 Oscar e 4 outras indicações.

Destaca-se ainda a tenebrosa trilha sonora de Jerry Goldsmith, vencedora do Oscar e cuja canção "Ave Satani" foi indicada para o Oscar (perdendo para Evergreen, cantada por Barbra Streisand).

Outro ponto forte do filme é a direção de Richard Donner, que no começo da carreira assinou sucessos como "Superman", "O Feitiço de Áquila", "Os Goonies" e "Máquina Mortífera".

Todos os filmes da "trindade" do primeiro parágrafo geraram continuações e/ou imitações, sinal do sucesso que obtiveram. "A Profecia" foi refilmada, inclusive, em 2006, estreando nos cinemas em 06/06/06. Gregory Peck foi substituído pelo sem-sal Liev Schreiber, e afora isso, a refilmagem é bem parecida com a de 1976, mas sem sua classe e impacto.

Cotação: êêê (ótimo)


Segue a canção "Ave Satani", de arrepiar



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Um rapaz formado em Direito, estudante de História, que trabalha em banco e escreve livros de RPG".

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