"Nós
que Nos Amávamos Tanto" é um dos meus filmes preferidos. Foi feito em 1974 pelo
diretor italiano Ettore Scola. Aqui segue não um trailer, mas uma homenagem ao
filme, que está no youtube. É uma forma de conhecer um pouco do espÃrito da pelÃcula. Vale a pena.
A
Hospedeira (The Host). EUA, 2013. De Andrew Niccol. Com Saoirse Ronan, Max Irons, Jake Abel, Diane Kruger
e William Hurt.
Fui
assistir “A Hospedeira” sem saber que se tratava de um filme baseado no romance
homônimo de Stephenie Meyer (Crepúsculo, Lua Nova, etc.), e que ela é a roteirista, junto com o diretor. Dei
com os burros n’água.
No
filme, a espécie humana está quase extinta, pois é dominada por alienÃgenas
inteligentes que necessitam de um humano para sobreviver. Mas são seres
evoluÃdos, bondosos, frágeis, que praticam a não violência e não destroem nosso
planeta. Um deles, chamada “Peregrina”, ocupa o corpo da jovem Melanye, sem
saber que ela ainda está viva e que deixou namorado e irmão mais novo com a
promessa de retornar. No mesmo corpo, cohabitarão duas almas: a humana e a
alienÃgena.
Nesse
panorama foi inserido um romance pós-adolescente, de modo que a ficção cientÃfica
desbanca para o romantismo e as escolhas da vida. Não, não se trata de
preconceito ou falta de boa vontade com a criadora da saga Crepúsculo. É que seus
diálogos são cheios de frases de efeito como “confio em você”, “cumprirei minha
promessa”, “jamais te esquecerei”, etc., que tudo fica aborrecido e
sentimentalóide, irritante, ainda mais numa estética que lembra as novelas da
globo naquilo que estas possuem de pior (por exemplo, num quarto dentro de uma
caverna, há um quadro pendurado, enfeitando). Quanto mais a história se
desenrola, mais difÃcil fica engolir os limites da autora para a paixão,
seja pela história sem pé nem cabeça, seja pela melosidade.
Obs: duas almas, uma humana, outra alien, ocupando o mesmo corpo, mas apaixonando-se por rapazes diferentes, é o fim da picada.
Obs: duas almas, uma humana, outra alien, ocupando o mesmo corpo, mas apaixonando-se por rapazes diferentes, é o fim da picada.
Bem-feito
pra mim, que fui assistir sem saber quem eram seus realizadores.
Cotação:
Ä (ruim)
Dois filmes italianos e o Vaticano: “Giordano Bruno” e “Habemus Papam”
Em tempos de mudança de papado, assisti a dois filmes italianos que tem
a Igreja Católica como ponto central. São eles “Giordano Bruno”, de Giuliano
Montaldo, de 1973, e “Habemus Papam”, de Nanni Moretti, de 2011.
Quase 40 anos separam esses dois filmes. Porém, mais que isso, suas
histórias se passam em contextos bem afastados: o primeiro se passa no século
XVI e o segundo nos dias atuais.
“Giordano Bruno” narra a vida do filósofo e astrônomo italiano
perseguido pela inquisição católica por suas ideias, como de que a Terra gira
ao redor do sol – e não o contrário – e de que Deus está presente em toda a
matéria do Universo. O filme inicia no seu retorno a Veneza depois de vários
anos e segue sua deportação para Roma, onde seria julgado e condenado por
heresia contra a Igreja. O conteúdo do filme é nitidamente polÃtico:
contestador até o fim. Tanto que, ao receber sua sentença, Giordano diz aos
inquisidores: “vocês têm mais medo que eu”.
Destacam-se a interpretação do ator Gian Maria Volonté, a fotografia e a
trilha sonora do mestre Ennio Morricone.
“Habemus Papam” começa logo após a morte do pontÃfice, quando então ocorre
o conclave para eleger quem será o novo Papa. O Cardeal Melville (Michel
Picolli) é eleito. Entretanto, ele sofre um bloqueio psicológico momentos antes
de se apresentar à multidão: acha-se incapaz de assumir tamanha
responsabilidade.
Em vistas da situação inusitada, um psicanalista (o próprio diretor
Nanni Moretti) é chamado à s pressas para tratar o pontÃfice.
Na época de Giordano Bruno (1548-1600) a Igreja Católica dispunha de
enorme poder e influência, apesar de pouco antes ter ocorrido o cisma
protestante promovido por Lutero. O filme de Giuliano Montaldo é polÃtico,
histórico, crÃtico com a Igreja e com todos aqueles que detém o poder, seja no
século XVI, seja nos séculos XX/XXI. A cúpula da Igreja é vista como algo
nebuloso – realçado pela fotografia através de jogos de luz e sombras – e palco
de intrigas e ardis. Cabe à igreja a manutenção do “status quo”, em oposição ao
revolucionário Bruno.
Já Nanni Moretti fez uma comédia, o que pressupõe coisa mais leve. A
Igreja Católica mudou depois de tanto tempo; censura, processos inquisitórios,
torturas e mortes na fogueira ficaram num passado distante. O diretor mostra o
Papa e os cardeais como pessoas comuns, sem aquela aura divina e intocável que
imperava no século XVI. Eles são apenas religiosos simpáticos que, nas horas
vagas, montam quebra-cabeças, jogam cartas e até se arriscam no vôlei. Uma visão
um tanto ingênua – acharão alguns.
Cotação:
Giordano Bruno êêê (ótimo)
Habemus Papam êê (bom)
A Viagem
(Cloud Atlas). Alemanha/Cingapura/EUA/Hong Kong, 2012. De Tom Tykwer, Andy Wachowski e Lana Wachowski. Com
Tom Hanks, Halle Berry, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Ben Wishaw e Hugh Grant.
“A
Viagem” traz seis histórias paralelas, de meados do século XIX a um futuro
distante. Elas não se cruzam, mas em todas vemos pessoas às voltas com decisões
que requerem coragem e rompimento com uma ordem vigente, em nome de algo maior.
Uma
das histórias adentra nos gêneros ação e ficção cientÃfica (protagonizada por James
D’Arcy e Xun Zhou, um clone); a estrelada por Jim Broadbent é uma comédia
mais leve, na qual seu personagem tenta escapar de um asilo. Mas a melhor é a
que tem Tom Hanks e Halle Berry, em um futuro distante, nas ilhas do
HavaÃ. Ele é um nativo das ilhas e ela um ser humano de outro planeta.
Em
todas as histórias a direção é segura e o entrelaçamento entre elas, ao longo
do filme, só faz ressaltar a qualidade dos três diretores. O inÃcio de cada
história coincide com o inÃcio das demais, de maneira que a certa altura não
temos um só clÃmax, mas vários, um seguido do outro. Seria algo como assistir
seis histórias ao mesmo tempo. Essa experiência incomum e a bela mensagem que o
filme transmite o tornam gratificante.
Uma
grande sacada de “A Viagem” foi fazer com que cada ator interpretasse vários
personagens, nas diferentes histórias, em épocas e locais distintos. Só um
excelente elenco poderia dar conta disso, mas as palmas vão também para a
maquiagem.
Obs.:
Há uma cena em que o carro dirigido por uma jornalista despenca da ponte e cai
no mar. É um primor de realização técnica. Não me lembro de ter assistido uma
cena de acidente de carro tão bem feita.
Cotação: êêêê (excelente)
Sabemos que é comum as pessoas
chorarem vendo filmes, assitindo novelas ou lendo livros. É normal; todos temos
sentimentos. Na verdade, acho difÃcil encontrar alguém que nunca tenha se
emocionado, a ponto de romper em prantos, nessas ocasiões. Só que algumas
pessoas deixam suas emoções aflorarem com mais facilidade que outras. O que depende, claro, dos sentimentos com os quais estejamos lidando.
Muitas pessoas choram também com
notÃcias que vêem na televisão, em particular, com tragédias e imagens fortes.
São coisas que liberam sentimentos Ãntimos de cada um, disso posso dizer. Eu,
por exemplo, me lembro de um documentário sobre vida selvagem, que mostrava um carcaju
subindo numa árvore, até alcançar o filhote de águia no topo. O casal de pais
águias tentava, em vão, distrair e assustar o carcaju, voando sobre ele, mas
sem sucesso. E o filhote, meio já crescido, tentava voar e se defender mas não
conseguia, e pude sentir seu desespero e o dos seus pais. Acabou que o carcaju
abocanhou o filhote e o levou consigo. Fiquei chateado, meio deprimido, com
vontade de chorar. Mas assim é a natureza. Talvez o carcaju só matou o filhote porque
tinha, também, suas próprias crias para dar de comer.
Por isso, essa é uma questão muito
complexa, que não tenho como tratar profundamente aqui.
Mas, antes de eu procurar saber
porque filmes fazem as pessoas chorar, procurei investigar porque determinados
filmes me fizeram chorar. Passei do particular para o geral. Comecei de mim, para depois tentar ver pelos outros. É
claro que existem filmes feitos para esse propósito, isto é, levar o espectador
às lágrimas... mas, em regra, só me fazem chorar aqueles dos quais trago coisas
marcantes da minha vida – filmes nos quais a maioria das pessoas não choraria.
Assim, não chorei quando vi “Diário de uma Paixão”, “Titanic” ou “O Paciente Inglês”.
Longe disso. Meu caso é outro. Meus motivos para chorar são outros.
Vamos aos que mais me fizeram
chorar:
1) A Menina e o Porquinho (Charlotte´s
Web). EUA, 1973. De Charles A. Nichols
e Iwao Takamoto.
Toda vez que assisto esse desenho
animado choro. Aliás, desde a primeira vez que o assisti, no SBT, num sábado a
tarde. Eu era bem novinho. O desenho animado se divide em duas partes. Na
primeira, temos o porquinho Wilbur que, desde que nasceu, foi adotado pela
garotinha Fern, filha do dono da fazenda. Ela trata-o com o maior carinho e
amor, dá banho nele, como bichinho de estimação. Entretanto, Wilbur começa a
crescer, e o pai de Fern decide que é hora de ele ir viver com os demais
animais da fazenda até engordar e ser abatido. Ponto.
Fern chora muito a perda do contato
com seu bichinho, na seu quarto. Ela chora, fica triste, e eu junto com ela. O
sentimento de perda é muito grande, dos dois. Entretanto, a menina sempre que
pode vai visitá-lo no chiqueiro, junto aos outros animais, e fica lhe fazendo
companhia e carinho. A menina se resigna, pois no seu Ãntimo sabe que seu pai
tem razão.
Conversando com outros animais da
fazenda, o porquinho descobre que, quando crescer mais, será morto e vai virar
presunto. Fica apavorado. Sente-se sozinho no mundo, até porque Fern não tem
como visitá-lo sempre. É aà que Wilbur faz amizade com Charlotte, uma aranha
que lhe promete amizade e que fará o possÃvel para evitar que Wilbur seja
morto. Desenvolve-se entre os dois uma amizade enorme. Se antes o porquinho
tinha Fern como mãe, agora tem Charlotte. Uma amizade e um amor existe entre os
dois, como o de uma mãe que tenta, ainda que com recursos limitados, proteger
seu filhote. Através de sua teia Charlotte tece frases sobre Wilbur. Essas
frases tornam Wilbur famoso e fazem com que seu dono desista, de vez, da idéia
de abatê-lo.
Mas Charlotte, como aranha, tem um
vida curta. Depois de salvar Wilbur, ela constrói seu ninho e morre. O porquinho
tem, então, sua segunda perda. Mas logo
uma porção de aranhazinhas brotam do ninho de Charlotte, e voam do
celeiro em busca de uma nova vida. Mas três filhotes ficam lá no celeiro mesmo,
morando junto com Wilbur, e se tornam amigos dele.
Quando assisti “A Menina e o Porquinho”,
pela primeira vez, devia ter uns oito anos. Estava na casa da minha avó
materna. Alguns meses antes, minha mãe
havia falecido. Havia perdido ela, mas até então não havia entendido bem o que
era isso. Sabia que minha mãe havia morrido, mas comecei a sentir sua ausência,
realmente, depois. Wilbur, Fern e Charlotte me ajudaram a compreender o que
aconteceu. Ajudaram-me a lidar com a perda, a me resignar que, infelizmente,
isto ocorre e que Deus tem planos para as pessoas independentemente da nossa
vontade. E que, mesmo quando perdermos alguém, Deus nos aproxima de outra
pessoa: no meu caso, do meu pai. O final do filme é a cena em que mais me
emociono: as filhotezinhas de Charlotte voam felizes para fora do ninho,
levadas pelo vento, dando “tchau” e “adeus” ao porquinho e aos outros animais
da fazenda. Elas eram uma continuação da sua mãe. E eu sou um pedaço eterno da
minha. Passo mais tempo chorando que assistindo “A Menina e o Porquinho”.
1) As Aventuras de Pinóquio (The Adventures
of Pinnocchio) EUA/Reino Unido, 1996. De Steve
Barron. Com Martin Landau.EUA/Reino Unido, 1996. De Steve Barron. Com Martin Landau.
Nesta versão do conto clássico,
Martin Landau faz Geppetto, o velho fabricante de bonecos de madeira que tem um
de seus bonecos transformado magicamente em criança. Ele chama o garotinho de
madeira que, quando mente, cresce o nariz, de Pinóquio. Pinóquio não é uma
criança como qualquer outra, pois é todo de madeira. Mas é muito danado e seu
comportamento não é diferente das demais crianças.
Minha maior identificação com filme reside na relação do pai com o filho. Geppetto já é um senhor com certa idade que se
torna pai – e mãe - de repente. Tal como meu pai, ele tem de educar um garoto sem
mãe (embora, no caso do meu pai, fossem três: eu e meus dois irmãos). Quando
minha mãe faleceu, eu tinha apenas 7 anos, e meus irmãos 9 e 10. Quer dizer,
durante grande parte da nossa criação, meu pai foi “pãe”.
Sinto-me mais emocionado nas cenas
em que pessoas de má indóle tentam separar pai e filho. Certas circunstâncias fazem
com que Geppetto, certa vez, abra mão da criação de Pinóquio, por acreditar que
não é a pessoa mais adequada para tal, mas ele logo se arrepende e se vê
entristecido pela partida do filho. Geppetto, então, reencontra-se com seu
filho e diz que nunca, nunca mais deixará ele partir. Um tem o outro, e um deve
cuidar do outro, apesar de todas as dificuldades da vida. Assim vejo eu e meu
pai.
Assim como pinóquio era um garoto
diferente dos outros, por ser de madeira, eu me via diferente da maioria dos da
escola: afinal, havia perdido minha mãe muito novo.
3) Gonzaga – De Pai para Filho. Brasil, 2012. De Breno Silveira.
O filme de Breno Silveira retrata a
relação de dois grandes nomes da música brasileira: Luiz Gonzaga, Rei do Baião,
e Gonzaguinha, seu filho, que se tornou um dos principais compositores e
intérpretes da MPB. O filme foca nos desentendimentos entre pai e filho.
De novo, emocionei-me muito com
esse filme que, pela natureza da sua história, é emocionante em si. Mas para
mim foi mais forte, pois vários dos pontos da relação difÃcil entre Luiz
Gonzaga e Gonzaguinha eu vejo na minha relação com meu pai. Gonzaguinha, no fim
das contas, sofria muito por não conseguir se entender com seu pai. Ele perdeu
sua mãe quando tinha dois anos e meio e foi criado principalmente por Dina,
esposa do amigo de seu pai, já que Gonzagão sempre viajava em turnê e quase não
tinha contato com o filho.
Gonzaguinha cresceu no morro do São
Carlos, no Rio, e cresceu um tanto revoltado e marcado muito mais pela ausência
do pai cantor que pela morte precoce da mãe.
Pai e filho se reencontraram depois
que Gonzaguinha já era adulto e fazia sucesso como cantor e compositor. Os
dois passaram anos sem se falar. Antes, quando tentavam conversar, logo a
conversa descambava para brigas e remorsos. Assim tem sido eu com meu pai,
infelizmente. Eu, como Gonzaguinha, quero carinho e aceitação por parte do meu
pai. Mas meu pai, tal como Luiz Gonzaga, é orgulhoso demais para dar-me, ou
melhor, não sabe como fazê-lo. Meu pai e o de Gonzaguinha perguntam-nos até
quando nós jogaremos na cara deles suas falhas, e prosseguem: “Eu te paguei o melhor colégio, não foi? O que você queria mais?”
Em determinada cena, Luiz Gonzaga
diz ao filho: “Você é um moleque! Um moleque!”. Gonzaguinha apenas fica calado,
sem responder, “sangrando” como diz sua música. Meu pai já me chamou algumas
vezes de “vagabundo”, “idiota”, e já me disse “me respeita!”, apontando o dedo
para mim, quando eu digo certas coisas para ele. Mas eu o amo, nem deixaria de amá-lo,
tenho a ele como minha razão de viver. Além do mais, meu pai já está com certa
idade, não quero discutir com ele. Só quero viver coisas boas com ele.
Detalhe: Gonzaguinha não era filho
biológico de Luiz Gonzaga. Assim eu me sinto, em relação a meu pai, às vezes.
Como ou se eu fosse adotado ou, em outras palavras, não pertencesse a ele.
4) Os Gritos do Silêncio (The Killing
Fields). Reino Unido, 1984. De Roland
Joffé. Com Sam Warsterson e Haing S. Ngor.
“Os gritos do Silêncio” foi um
grande sucesso, tendo sido indicado a vários prêmios Oscar, inclusive melhor
filme, melhor diretor e melhor ator. Haing S. Nigor, cambojano, ganhou o prêmio
de melhor ator coadjuvante, interpretando o jornalista Dith Pran. O filme
mostra um grupo de jornalistas ocidentais e seu correspondente no Camboja, Dith
Pran, que acompanham o desenrolar da guerra civil no camboja. Seu desfejo deu
origem ao regime de terror do Khmer Vermelhor, comandado por Pol Pot. Em poucos
anos, 2 milhões de pessoas foram mortas pelo regime – numa população de 10
milhões.
Na segunda parte do filme, Sidney
(Sam Warsterson) e os demais conseguem fugir do paÃs, mas Dith Pran não. Ele passa
então a prisioneiro do Khmer. Numa luta desperada para manter-se vivo,
presencia os campos da morte, os chamados “Killing Fields” do tÃtulo original.
Pessoas eram forçadas a sair da cidade para trabalhar na agricultura. Quem se
recusava era executado. Milhares foram assassinadas por motivos inÃquos, até
mesmo, por serem obedientes demais. Intelectuais, médicos, professores e outras
pessoas com educação superior eram sumariamente executadas. Pran, inclusive,
teve que esconder sua antiga profissão de jornalista para manter-se vivo.
A despeito de todas as
dificuldades, Dith Pran consegue cruzar a fronteira do paÃs, embora sua jornada
tenha lhe deixado fisicamente baleado. Com a música “Imagine”, de John Lennon, tocando
o reencontro entre os amigos Sidney e Pran, não tive como não chorar compartilhando
a alegria dos personagens. Eu chorava e dizia: “ele conseguiu, que bom, não acreditava...
Meu Deus, ele sobreviveu.” E mais: quando Sidney pede desculpas a Pran, por
deixá-lo num paÃs em ruÃnas, Pran lhe responde: “Não há nada o que perdoar
Sidney, nada”.
Muito já li sobre a guerra no
Camboja e outras guerras. Muitos filmes já assisti, mas foi “Os Gritos do
Silêncio” que me fez chorar. Não só uma lágrima, mas um chororô com direito a
soluços.
5)
O Pequeno PrÃncipe (The Little Prince). EUA/ Reino Unido, 1974. De Santely Donen. Com Richard Kiley
e Steven Warner.
Assisti ao musical dirigido por
Stanley Donen sem nunca ter lido o livro. Logo me encantei pelo garotinho que
interpreta o Pequeno PrÃncipe, que veio a Terra em busca de significados para
seus sentimentos. Sua roupa de prÃncipe, sua ótima interpretação e o carinho que
o restante do elenco dispensa ao contracenar com ele conquistaram meu coração. “Cativaram-me”
o sorriso e a voz do ator do Pequeno PrÃncipe.
Como não havia lido o livro, não
sabia o final da história. Talvez por conta disso, por desconhecer seu final “triste”,
tenha irrompido em lágrimas. Depois, ao ler o livro, notei algumas coisas que
não havia percebido ao ver o filme. Mas ler o livro não tirou o encanto do
filme de Donen, principalmente pelo jovem protagonista e pelas canções.
6) As Damas de Ferro (Satree Lek). Tailândia, 2000. De Youngyooth Thongkonthun.
Este filme tailandês fez bastante sucesso quando do seu lançamento. Conta a história de um grupo de gays,
travestis e transexuais que, cansados do preconceito, resolvem formar sua
própria equipe de vôlei e disputar o campeonato nacional. O filme é
uma comédia, divertidÃssimo. Então você pode se perguntar: por que Mathias foi
chorar num filme desses, que não é triste? Bom, adianto que o time vence o
campeonato tailandês e ganha o direito de representar seu paÃs nos jogos asiáticos.
O que me marcou é que o filme conta
uma história verdadeira. No final, aparecem cenas dos jogadores reais, jogando
e dando entrevistas em programas de televisão. Foi aà que chorei: vendo as
pessoas reais, seus feitos; comparei-os com os atores. Orgulhei-me deles e me
senti feliz por eles. Acho que foi por isso que chorei, de alegria.
E você? Com certeza você também já
se emocionou muito assistindo filmes. Quais foram os filmes que mais mexeram
com você? Eu dividi um pedaço dessa minha experiência com vocês, e adoraria que
vocês contassem um pouco das suas histórias aqui. Devem ser histórias
maravilhosas...
Abração!!!
C.R.A.Z.Y.
– Loucos de Amor (C.R.A.Z.Y.). Canadá, 2005. Direção: Jean-Marc Vallée.
Com Michel Côté, Marc-André Grondin e Danielle Proulx.
Neste filme
canadense, temos a história de uma famÃlia formada por pai, mãe e cinco irmãos
(todos homens) ao longo de 20 anos. Porém, o diretor se detém é na relação
entre o pai, Gervais Beaulieu (Michel Côté, ótimo ator) e o quarto dos cinco,
Zachary, talvez o mais especial deles. Mais ainda, Jean-Marc Vallée detém-se na
dificuldade do pai em aceitar a homossexualidade do filho, que tanto distancia
os dois.
Em Québec,
Canadá, do inÃcio dos anos 60 até os anos 80, vemos Zac crescer e os altos e
baixos da sua relação com seu pai. Os personagens são caracterizados conforme a
época e o lugar em que viviam, a meu ver excessivamente. A caracterização
marcante do tempo e lugar em que se passa a história, com suas músicas,
figurinos, cortes de cabelo e até carros e casas tÃpicos deixam-na menos
universal. O amor de um pai pelos filhos e de um filho, em particular, por seu
pai, é atemporal e universal. Mas aqui deu-se muita importância ao espaço-tempo
(american way of life e caracterÃsticas marcantes dos anos 70, como a música
explosiva, a maconha, o movimento punk...), o que diluiu o centro de interesse
do filme. A delimitação do espaço-tempo talvez advenha do fato da obra ser
claramente autobiográfica.
Ponto
positivo de “C.R.A.Z.Y.” é mostrar como, numa famÃlia, aquelas crianças unidas
em torno do pai e da mãe vão, aos poucos, ganhando asas e alçando vôo próprio,
normalmente cada um para uma direção diferente. Aà reside boa parte da beleza
do filme.
Cotação: êê (bom)
O Discreto Charme da Burguesia (Le Charme Discret de la Bourgeoisie). Espanha/França/Itália,
1972. Direção: LuÃs Buñuel. Com Fernando Rey, Julien Bertheau e Stéphane Audran.
Três caracterÃsticas são fundamentais na obra do diretor espanhol LuÃs
Buñuel: a crÃtica à burguesia e ao clero e o surrealismo. Em “O Discreto...”
temos esses três elementos bem delineados. Na história, três casais – burgueses
– tentam jantar juntos, mas nunca conseguem pelos mais diversos contratempos.
O diretor prega muitas peças no espectador, quando mistura o que é real
com os sonhos e devaneios dos personagens. Quando você pensa que determinada
cena do filme é real, na verdade ela não passa de um sonho; ao mesmo tempo,
algumas situações reais são tão absurdas que só podem ter saÃdo de um sonho.
Onde já se viu, por exemplo, você ir jantar num restaurante e descobrir que,
próximo à mesa, o finado proprietário do estabelecimento está sendo velado?
Em outros momentos o trote do diretor está em tentar matar o espectador de
curiosidade. Exemplo: numa cena, uma das personagens, antes de se deitar com
seu amante, pede para que ele apague a luz, para que não veja seus problemas de pele pois, se os visse, correria
apavorado. O diretor só nos dá essa informação. Ficamos sem saber qual o
problema dermatológico da personagem e, pior ainda, não conseguimos ver como está
sua pele. Claro, sob a pele da madame, um delicado vestido e luvas, e a
informação de que as suas mãos já estão curadas. Mas só. Outro exemplo ocorre
quando os personagens dizem algo importante, mas o som do trânsito ou de um
avião faz com que não possamos ouvÃ-los.
O tÃtulo da obra é bem apropriado. A burguesia, alvo favorito do
cineasta, tem seus representantes postos em situações ridÃculas, evidenciando a
hipocrisia e as sutilezas do mundo burguês. São muitas as cenas impagáveis. O
elenco é excelente e captou o espÃrito crÃtico com naturalidade. Uma ótima e
refinada comédia, premiada com o Oscar de melhor filme estrangeiro.
Cotação: êêêê (excelente)
Para
complementar um pouquinho sobre o filme “Amores Imaginários”, algo que escrevi
tem uns 5 anos...
MAIS
PERGUNTAS SEM RESPOSTAS...
Por
que gostamos de uma pessoa
Mesmo
sabendo que não somos
Correspondidos?
Por
que aqueles que gostam de nós
É
que muitas vezes não são
Correspondidos?
Se
o nosso coração trabalha
pelo
avesso
E
não conserta
Pra
que tantos amores
Desmedidos?
A
ciranda parece até uma brincadeira
Mas
não é porque dela saÃmos
Destemidos
Ou
Desiludidos.
Mathias Nelson Faria dos Reis
