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Mundo das coisas, pessoas, palavras e imagens


A Selva

Chego em casa
tarde da noite
depois de muito trabalhar,
ralar, desgatar, malhar.
Quando penso recuperadas
minhas energias
eis que me liga figura há muito
esquecida
e com uma simples pergunta
remexe toda minha vida:
“Está tudo bem?”
E o bem-estar
que me trouxe o exercício
vai logo embora,
como uma selva
que empurra todos pra fora.
Levantam-se as sombras
martelam as dúvidas tanto,
vêm e revêm o pranto.


Mathias Nelson Faria dos Reis

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A Cidade dos Amaldiçoados (Village of the Damned). EUA, 1995. De John Carpenter. Com Christopher Reeve e Kirstie Alley.

Numa cidadezinha norte-americana, misteriosa força faz com que seus moradores desmaiem. Logo após, várias de suas mulheres engravidam ao mesmo tempo.

John Carpenter dirigiu grandes filmes como “Halloween” (1978), “Fuga de Nova Iorque” (1981), “O Enigma do Outro Mundo” (1982), “Eles Vivem” (1988) e “Vampiros de John Carpenter” (1998). Todas essas obras tiveram ótima repercussão e geraram continuações e/ou imitações. Na sua longa carreira o mestre imprimiu forte tom autoral nos seus filmes, sem contudo reduzir o lado comercial deles.
Além desses, poderíamos citar filmes que se tornaram cult, como “Christine – O Carro Assassino”, “Starman” e “Os Aventureiros do Bairro Proibido”, todos dos anos 80.
Assim, é provável que você tenha assistido pelo menos um dos filmes mencionados, sem lembrar-se, contudo, que são obras de John Carpenter.
Para se ter uma idéia, só cineastas de gabarito como ele têm moral para pôr seu nome junto ao título, como é o caso de “Vampiros de John Carpenter”. Fellini o fez, em “8 1/2”.
“Cidade dos Amaldiçoados” entra na carreira do diretor como uma obra menor e menos pessoal. Apesar de ser bem realizada, em nenhum momento nos surpreende. Parece que Carpenter a dirigiu no piloto automático.
Mas com um currículo desses, mesmo uma obra menor vale.

Cotação: ÃªÃª (bom)


Obs.: acabou o texto, e terminei quase não falando do filme... kkkk

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Matrix (Matrix, The). EUA, 1999. De Andy e Larry Wachowski. Com Keanu Reeves, Laurence Fishbourne, Carrie-Anne Moss e Hugo Heaving


“Você escolhe a pílula azul ou a vermelha?” – pergunta Morpheus a Neo.


Assisti “Matrix” com quase 15 anos de atraso. Entretanto, creio que esse lapso não prejudicou minha visão sobre o filme. Eu não teria como dizer, exatamente, quais seriam minhas considerações sobre ele se o tivesse assistido à época de seu lançamento. Veria com os mesmos olhos que o vi em 2013? Não há resposta.

Muito já se falou sobre o filme e em uma coisa concordo: é excelente. Assino embaixo inclusive com aqueles que o consideram um marco da ficção científica, tal como “Star Wars” o foi em 1977 e “2001 – Uma Odisséia no Espaço” em 1968.

“Matrix” levanta muitas questões filosóficas e existencialistas, como as seguintes:
  • Em que consiste, de fato, a “Matrix”?
  • O mundo em que vivemos é o real, ou trata-se de uma ilusão criada por um supercomputador ou um Deus?
  • Mais que isso, o que é preferível: viver numa falsa verdade, ilusória, ainda que feliz, ou conhecer as coisas e vivenciá-las tal como são, por piores que sejam?
Esses são alguns dos questionamentos que o filme nos faz, e cujas respostas deixa em aberto, pelo menos antes de suas duas sequências.

Mesmo filosófico, o filme não abandona a ação, pelo contrário: “Matrix” inaugurou novas técnicas cinematográficas, logo copiadas. Foi, por exemplo, o primeiro a girar a câmera enquanto a cena está pausada e a mostrar personagens desviando de balas em câmera lenta. Isso sem falar nas ótimas coreografias de luta e no visual estiloso dos personagens. E, claro, dos efeitos especiais, que não envelheceram.

O elenco é impecável. Foi o primeiro sucesso de Carrie-Anne Moss e marcou as carreiras de Keanu Reeves, Laurence Fishbourne e Hugo Weaving, sem esquecermos, ainda, de Joe Pantoliano


Cotação: ÃªÃªÃªÃª (excelente)


Obs.: O filme é escrito e dirigido pelos irmãos Andy e Larry Wachowski. Comenta-se que posteriormente Larry fez uma cirurgia de mudança de sexo, passando a assinar como Lana Wachowski.
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Guerra Mundial Z (World War Z). EUA/Malta, 2013. De Marc Forster. Com Brad Pitt.

O enredo de “Guerra Mundial Z” é bem conhecido: um vírus/bactéria faz com que as pessoas infectadas ataquem as demais, deixando-as agressivas como mortos-vivos, originando uma epidemia em escala mundial. Trata-se, enfim, de mais uma praga zumbi, cujo contágio se dá com a mordida.
Brad Pitt faz o ex-funcionário de alto escalão da ONU que tem esposa e duas filhas para proteger, mas é convocado pela própria Nações Unidas para descobrir pistas sobre o que ocorre e, assim, encontrar uma cura.
O desenvolvimento do filme foge de alguns clichês do gênero e mantém a tensão, sem perder o foco. A direção de Marc Forster (A Última Ceia, O Caçador de Pipas) é segura, passeando bem pelas várias regiões do planeta.
Muito “Guerra...” deve a “Extermínio”, de Danny Boyle. O filme do diretor inglês, de 2002, rompeu com várias tradições do subgênero terror zumbi: se os zumbis de George A. Romero são lentos e, de fato, mortos-vivos, a partir de “Extermínio” tornaram-se rápidos e passaram a ser chamados de infectados.

Assim, “Guerra...” é bom, bem feito, mas nada excepcional. Para quem dele gostar, fica a sugestão: assistir “Extermínio" (28 Days Later), muito mais tenso.


Cotação: ÃªÃª (bom)

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“Meu Amigo Totoro” (1988) é um dos principais filmes de Hayao Miyazaki, o grande diretor japonês de animação. São dele também “Princesa Mononoke” (1997), “A Viagem de Chihiro” (2001) e “Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar” (2008), dentre outros.
O diretor possui um modo de fazer animações completamente diferente da Disney e Pixar. Suas histórias marcam por não terem vilões e mocinhos bem definidos e por misturar  realidade com fantasia.

Vai aqui uma pequena homenagem ao diretor, que neste ano completou 72 anos.


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Highlander – O Guerreiro Imortal (Highlander). EUA/Reino Unido, 1986. De Russell Mulcahy. Com Christopher Lambert, Clancy Brown e Sean Connery.

Década de 80 foi boa – só na música

“Highlander” envelheceu mal e rapidamente. De clássico, cult e criador de toda uma mitologia, o filme lembra hoje mais pela arte visual típica que se fazia nos anos 80. Seus efeitos especiais são fracos, sua cenografia é ruim (vide as pedras que são destruídas por golpes de espada e a reconstituição do século XVI) e as coreografias de luta risíveis quando comparadas com “Matrix” ou “Kill Bill”.
Ademais, a qualidade do filme é prejudicada pela direção pesada de Russell Mulcahy. O diretor viria posteriormente a ter grandes orçamentos em suas mãos, mas não conseguiu transformar nenhum deles em um filme de destaque.
Igualmente, Christopher Lambert não fez boa carreira, de modo que o guerreiro Highlander é até hoje seu maior papel no cinema, incluindo suas continuações, de 1991 e 2000.
Mas a trilha sonora do filme é nota dez. As músicas compostas pelo Queen para o filme estão em outro patamar. De fato, tornaram-se clássicas, como “Who Wants To Live Forever”.


Cotação: ÃªÃª (bom)

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“Além da Linha Vermelha” (The Thin Red Line), dirigido por Terrence Malick, é um filme de guerra que concorreu a sete Oscar em 1999. Não levou nenhum – coisas da Academia que, no mesmo ano, premiou “A Vida é Bela” mas não premiou nem “Central do Brasil” nem Fernanda Montenegro. Mas “Além da Linha Vermelha” ficou gravado na minha memória, entre outras coisas, por suas canções polinésias e seu super-elenco. Vai aqui uma homenagem ao filme, retirada do youtube.



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A Cartomante. Brasil, 2004. De Wagner de Assis e Pablo Uranga. Com Deborah Secco, Luigi Baricelli, Ilya São Paulo e Silvia Pfeifer.


Filme é tão ruim que provoca riso involuntário


“A Cartomante” inspira-se numa obra de Machado de Assis, transposta para a modernidade. No filme, Rita (Deborah Secco) está de casamento marcado com o médico Augusto Vilela (Ilya São Paulo), até conhecer Camilo (Luigi Baricelli), amigo de infância do médico. Rita e Camilo logo se apaixonam. Em dúvidas sobre o que fazer, Rita se consulta com a psiquiatra Dra. Antônia (Silvia Pfeifer), ao mesmo tempo em que segue os conselhos de uma cartomante.

“A Cartomante” não é apenas um filme ruim, é MUITO ruim. Fica até difícil comentar uma obra assim, tão ridícula. É mais fácil explicá-la citando exemplos. Então vamos lá:

- A direção do filme é amadora – apesar dele ter dois diretores. Eles não possuem noção de plano, contraplano ou enquadramento, que são coisas básicas para qualquer cineasta. Primeiro exemplo: em determinados momentos, um personagem conversa de frente com outro. Filmando a face do que fala, vemos parte do braço e ombro da pessoa com quem está dialogando. Muda o interlocutor, o plano continua mal cortado, mostrando partes da roupa e braço, sem qualquer elegância. Segundo exemplo: perto do fim, o espectador vê a linha do alto da parede de uma sala torta... não porque ela não seja reta: não creio que a falha fora do arquiteto ou do engenheiro. Isso se dá é porque o enquadramento está torto, sem eira nem beira.

- A direção insiste em filmar o trânsito carioca em velocidade superaumentada para ligar um ponto a outro do filme e dar uma idéia do transcorrer do tempo. Isso ocorre umas cinco ou seis vezes. Quer dizer, usou-se um recurso que já é batido várias vezes, cansando o que já é cansativo. Assista “Eu Vos Saúdo, Maria”, do mestre Godard, e perceba como tal recurso em “A Cartomante” é utilizado sem eira nem beira.

- Em certo momento, Rita e Camilo se vêem pela primeira vez, e, para reforçar a idéia de “amor à primeira vista”, a câmera foca nos olhos dos dois. Recurso um tanto gasto, porém feito sem nenhuma classe, senso ou desembaraço. Já os momentos pretensamente tensos soam ridículos, sem “timing”, ou seja, sem eira nem beira.

- A direção de atores é péssima. A única atriz que parece levar o filme a sério é Déborah Secco, a menos ruim do elenco. Luigi Baricelli é fraco, mas até que se esforça. Ilya São Paulo e Silvia Pfeifer estão constrangedores. Mais constrangedora é a participação de Giovana Antonelli, que faz ponta como uma drogada neurótica. Sua atuação é piorada pela falta de noção da direção, que faz cortes rápidos sem eira nem beira.

- A história é tosca, desinteressante e furada. Qual o motivo, por exemplo, de Rita e Camilo terem medo de assumir sua paixão? O que impede Rita de terminar o noivado com o Dr. Vilela? Nada. A história de Machado de Assis se passava no século XIX, época em que os costumes eram muito diferentes, muito conservadores. E romper um noivado para namorar o amigo do noivo podia resultar, de fato, num escândalo. Mas aqui resulta em algo sem eira nem beira.

- A Trilha sonora é desconexa/disléxica. Ora toca kid abelha, ora música de boate, ora partirmos para a música clássica “Canon”, de Pachelbel, que já foi bem utilizada em “Gente Como a Gente”, mas aqui aparece sem eira nem beira.

Enfim, é ver pra crer. Assistindo, você verá o quanto “A Cartomante” é ruim de dar pena, pois uma imagem do filme valerá mais que mil palavras minhas.

Acho, ainda, que assistindo você vai encontrar vários defeitos que eu não apontei. Eu paro o texto por aqui, porque é cansativo. Assistir ao filme não o foi, foi até divertido. No fim das contas, seus realizadores terminaram por produzir uma comédia involuntária.


Cotação: Ä (ruim)


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Um rapaz formado em Direito, estudante de História, que trabalha em banco e escreve livros de RPG".

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